Fácil é stressar

O difícil é simplificar.

Nos últimos dois anos que passei na Suécia tive de aprender muitas vezes a descomplicar e a digerir o stress. Porquê? Porque tinha tempo para o fazer. Lembro-me de uma rotina de vida em que o stress era uma constante tão presente que na verdade não tinha tempo para parar e descomplicar, partir os bocadinhos de stress, olhar para as tarefas e transformá-las em coisas pequenas, desafios… em vez de monstros papões.

É tão fácil encolhermo-nos perante os bichos papões. É mais fácil fugir, andar pequenino e continuar a stressar com tudo.

O difícil é simplificar, o difícil é parar, respirar e pensar nas tarefas, nos acontecimentos e mudar-lhe a luz. Proponho-vos um exercício.

Pensem em algo que vos esteja a stressar – um medo, um acontecimento, etc (há sempre algo a stressar-nos) – e imaginem que pegam nele com a vossa mão e o viram à vossa frente, olhando para ele, mudando-lhe a luz, virando-o ao contrário. Mudem a perspectiva. Retirem-lhe a roupa da importância, digam “já passou” e “não há-de ser nada”. Respirem fundo e siga, partam as grandes tarefas em grandes vitórias e se não for tudo muuuuito mais fácil, pelo menos vai ser um bocadinho mais fácil, garanto.

Esta manhã podia ter sido o começo de um dia de stress.

Por uma confusão de madrugadas e noites e datas, deixei uns amigos à minha espera na estação de comboios durante umas horas. Acordei em pânico com as mensagens deles (que não estavam nada stressados, também por estarem de férias!) e acabei por me encontrar com os meus pais, os dois atrasados para ir trabalhar.

Tivemos de trocar de carros, sair ao mesmo tempo, abrir portão, sairem carros, fechar portão, cada um a ir para o seu lado. Os meus pais preocupados que eu fosse a conduzir que nem uma maluca (não fui!) e eu preocupada porque os fiz atrasarem-se mais.

No regresso a casa, ao tentar ligar à minha mãe para avisar que chegámos bem, ouvi o telemóvel a tocar na sala ao lado. Liguei-lhe para o trabalho (depois de ter ligar para uma colega de férias fora do país) e ela ainda tinha mais uma história potencialmente stressante para contar, mas em vez de ficarmos de coração apertado, rimo-nos de tudo.

Eu tinha/tenho muita coisa para fazer, coisas que andei até a adiar no fim de semana, mas sentei-me, com os meus dois guardiões deitados ao meu lado e percebi que os bichos papões afinal não nos querem comer. É só mais fácil que os deixemos ter esse papel.

E sim, devia estar a fazer o que tenho para fazer em vez de estar a escrever este post, mas o fácil é stressar. O difícil é simplificar, mudar de perspectiva, descomplicar e fazer. E agora que já descompliquei, vou fazer.  

 

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