Ingen Panik

Hoje foi o último dia de mais um curso de sueco. O título é sueco, mas não é difícil de traduzir. É também a expressão que o nosso professor usava de cada vez que uma excepção que “temos apenas de aceitar” nos fugia da memória. Ingen Panik, sem pânicos.

Mas há tanto que assusta, sempre, todos os dias. Passámos a aula a conversar – a sério – sem exercícios de gramática, sem ditados. Apenas conversa, sobre nós, sobre a nossa vida, sobre os nossos países. E não é assim que se aprende uma língua, não é assim que se desfazem os nós da timidez e se arrisca a dizer asneiras e pronunciar mal palavras? É, pois.

Mas faz-nos pensar. Não só nas construções frásicas e nos constrangimentos linguísticos, mas também nas voltas que a vida dá… e nas voltas que queremos que dê. E “ingen panik” serve para tudo. Serve para o colega grego que quer abrir um negócio ambulante de café, serve para a colega americana que quer aprender a dançar swing, serve para tudo.

Hoje, o professor perguntou-nos qual era a coisa de que mais sentíamos falta dos nossos países, as respostas pouco variaram: amigos, família, comida. Depois falámos sobre o futuro. Há tanto a considerar, tanto para nos induzir num pânico inerte que nos prende as pernas e não nos deixa andar. Mas depois há o resto, o olhar para trás, o olhar para o lado, e ver que outros fizeram aquilo que nos assusta… que nós fizemos o que nos assustava.

Há uma estrelinha que me disse que eu era corajosa por me ter mudado de armas e bagagens para um país escuro e frio (estou a olhar para ti V.). Mas há tantos dias em que não me sinto corajosa. E não faz mal, desde que a falta de coragem não dê lugar ao pânico. E aprender para mim é o segredo. Enquanto se aprende não se dá lugar ao pânico.

Aprender uma nova língua (enquanto se vive no país dessa língua) tem sido das coisas mais enriquecedoras que já fiz. Há coisas que se aprendem durante as aulas, que ultrapassam em muito a língua que se treina. Mas ao falarmos das nossas experiências quando tivemos de falar sueco com alguém, algo curioso aconteceu: a maioria dos alunos concordou que era mais fácil conversar em sueco com as pessoas mais idosas.

Para mim, a explicação é simples: não sentimos que temos de provar nada. Não sentimos a expectativa. Quando tentamos falar sueco com alguém da nossa idade, ou que com quem temos uma relação que queremos manter, há expectativas associadas – ou o nosso cérebro cria essas expectativas por si só. E entramos em modo de pânico. Não é por acaso que toda a gente diz que fala melhor (inserir língua) quando está bêbedo. As inibições são suprimidas.

Mas a verdade é que este post não era para ser sobre nada disto, deixei-me levar pelas palavras – nada de novo. Este post era para partilhar com vocês este mantra: ingen panik. E as instruções associadas: aplicar generosamente pela vida fora.


 

Today was the last day of another Swedish course. The title is in Swedish, but it’s not difficult to translate. It’s also the expression that our teacher used each time an exception that “we have to accept” was fleeing from our memory. Ingen Panik: no panic.

But there is so much that scares us, always, every day. We spend the entire class time talking – seriously – no grammar exercises. Just talk, about us, about our lives, about our countries. And can you tell me that this is not the way to learn a language, that this is not the solution to the shyness and the fear of mispronouncing words? It is.

But it makes us think. Not only grammatically speaking, but also about what life has done to us… and what we want to do with it. And “Ingen Panik” fits all. Fits the Greek colleague who wants to open a street coffee business, serves the American colleague who wants to learn to dance swing, it fits us all.

Today, the teacher asked us what was the thing that we missed the most from our home countries, the answers were not that different from one to another: friends, family, food. After that we talked about the future. There is so much to consider, stuff that can create panic and prevent us from doing what we want. But then there’s the rest, you look back, look to your side, and see that others have done what scares you… that even you did something that scared you.

A friend of mine told me that I was brave for moving to a dark and cold place like this (I’m looking at you, V.). But there are so many days that I don’t feel brave. But it’s okay, as long as the lack of courage does not give way to panic. And learning, for me, is the key. While learning, one does have room or time to panic.

Learning a new language (while living in the country of said language) has been one of the most enriching things I’ve done. There are things that we learn during the classes, which go far beyond the language. But when we spoke of our experiences when we had to talk Swedish with someone, something curious happened: most students agreed that it was easier to talk in Swedish with older people.

For me, the explanation is simple: we do not feel that we have to prove anything. We do not feel like the other person has expectations. When we try to talk Swedish with someone our age, or with whom we have a relationship that we want to keep, there are expectations associated – or our brain creates those expectations by itself. And panic mode ensues. It is no coincidence that everyone says that they can speak (insert language) better when they’re drunk. Inhibitions are suppressed.

But the truth is that this post was not meant to be about any of this, I led by my words – nothing new there. This post was to share with you this mantra: Ingen Panik. And the associated instructions: apply generously throughout life.

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