Teaching by heart

Não sei se é porque o meu pai é professor – e eu sou a filha mais orgulhosa do mundo – mas sempre tive imenso respeito pela profissão. Sim, tive bons professores e professores menos bons. Mas para além dos meus pais, foram das figuras mais importantes na minha formação pessoal. Por isso nunca percebi como podem ser tratados com tanto desrespeito por tantos governos por esta europa fora.

Mas não estou aqui para escrever sobre revolta. Estou aqui para escrever sobre a diferença que existe quando alguém é apaixonado pelo que faz, quando um professor é feliz a ensinar. Guardo todos os professores que me mudaram e me moldaram em quem sou, que me deram a coragem e que me corrigiram os erros. Curiosamente, poucas dessas lições foram relacionadas com a matéria. Respeitem os vossos professores, valorizem-nos. Estão a dar-vos dois dos bens mais preciosos que qualquer pessoa tem: tempo e atenção.

Aprender uma língua diferente é um desafio, mas pode ser divertido com o professor certo. O meu professor de sueco (por 4 cursos até agora) puxa por nós, incentiva-nos, faz-nos fazer figuras de parvos até acertarmos e não há ninguém que fique mais feliz com o nosso sucesso do que ele.

Ontem levei-lhe um presente. Escrevi uma frase de Fernando Pessoa num saco de pano e ofereci-lho. Ele é particularmente apaixonado por Portugal por isso quis dar-lhe algumas palavras para poder “usar”. Não pensem que foi graxa, porque não existe avaliação sequer. Estamos ali por nós, para nós e se quisermos podemos fazer a certificação mais tarde,  mas o curso é aprendizagem apenas, sem avaliação.

Mas a alegria que causei, a surpresa, a satisfação valeu muito a pena. O trabalho que me deu, as horas de desespero a tentar ler sueco, etc. No saco lê-se “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” e nunca foi tão verdade.

Com este meu gesto ficámos a saber mais duas palavras importantes. Algo que se pode traduzir para admirado “förvånad” e surpresa “överraskning”. Este curso foi muito concentrado em conversação – precisamente o meu calcanhar de aquiles no sueco. E olhando para as primeiras aulas, vejo que falo muito mais durante as aulas. Mando muitas calinadas, mas atiro-me às frases e navego o labirinto que preciso navegar para tentar transmitir o que quero. E isso é bom. E isso não é só porque venci a minha timidez, é porque o professor nos deixa à vontade para falhar e voltar a tentar. Sem julgamento, sem desilusão. Apenas esperança nas nossas capacidades.

Um dos meus colegas – o grego – diz e muito bem que, depois de um certo nível, mais do que um professor, precisamos de um orientador. Alguém que nos inspire a melhorar. E se olharmos atentamente, os nossos professores querem ser isso mesmo, alguém que nos inspire. Alguns, são mesmo.


I don’t know if it’s because my father is a professor – and I am the proudest daughter in the world – but I always had great respect for the profession. Yes, I had good and not so good teachers. But apart from my parents, they were the most important figures in my personal development. So I never really understood how they can be treated with such disrespect by so many governments in Europe.

But I’m not here to write about what phases me. I’m here to write about the difference that it does when someone is passionate about one’s profession, when a teacher is happy to teach. I value all the teachers who changed me and shaped me into who I am, they gave me courage and corrected my errors. Interestingly, few of these lessons were related to the matter they were teaching. Respect your teachers, value them. They are giving you two of the most precious gifts that anyone has: time and attention.

Learning a language is a challenge, but it can be fun with the right teacher. My Swedish teacher (for 4 courses now) encourages us, makes us do silly things to get the words right and no one gets happier with our success than him.

Yesterday I brought him a gift. I wrote a sentence of Fernando Pessoa in a cloth bag and offered it to him. He is particularly fond of Portugal so I wanted to give him some words to be able to “use”. Do not think it was an action out of interest, because there is no evaluation at all. We are there for us and, if we want, we can take the certification exam later, but the course is learning only, no evaluation.

But the joy that I caused with the surprise, his satisfaction was very worthwhile. I was worth the work I put into making it and all the hours of despair trying to read Swedish, etc. In the bag you can read”all is worth it ,when the soul is not small” and that was never so true.

With this my gesture I learned two more important words. Something that can translate to admired “förvånad” and surprise “överraskning”. This course is very focused on conversation – precisely my weakness in Swedish. And looking at the first classes, I see that I speak more in class. I make a lot of mistakes, but I throw myself into the sentences and navigate the mazes that I must navigate to try to convey what I want. And that’s good. And that’s not just because I overcame my shyness, it’s because the teacher gives us freedom to fail and try again. No trial, no disappointment. Only hope in our abilities.

One of my colleagues – the Greek one – says that after a certain level, more than a teacher, we need a mentor. Someone who inspire us to improve. And if we look closely, our teachers want to be just that, someone who inspires us. Some of them manage to be.

 

 

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