You and yourself

Sou uma maricas. Dito isto, passo a explicar. Sou uma maricas porque nunca quero fazer nada sozinha. Mesmo chegando a uma idade em que percebi que morar sozinha até era bem porreiro, sempre houve coisas que evitei fazer sozinha.

Não sei se tem a ver com o facto de ser filha única, mas sempre fui muito de companhias. Os meus pais sempre se habituaram ao facto de eu ter amigas a dormir lá em casa de vez em quando. Um dia, a minha tia disse-me que se não fosse filha única não tinha de “acartar amigas”. Ainda não sei se será essa a razão, acho que sou só mariquinhas.

Mas hoje estou aqui para me lembrar dos momentos em que ganhei coragem e me aventurei. Lembro-me por exemplo da primeira vez que viajei sozinha – num ou dois aviões – em que me vi sozinha num aeroporto, em que percebi que até nem era assim tão mau. Lembro-me do dia em que fui a um concerto sozinha. Sempre achei que era um bocadinho triste, mas era um dos últimos concertos de uma banda que eu adoro (Buena Vista Social Club) e não podia perder. Valeu tanto a pena – a pena de ir sozinha e a pena de ser picada por uma série de mosquitos! Na altura ainda convidei uma série de pessoas, mas compreendi que não podiam ou não queriam. E não houve problema.

Às vezes temos de parar e tentar apreciar a nossa própria companhia. Uma das coisas que ainda me falta fazer sozinha é ir ao cinema. Dizem-me que não custa nada. Um dia. Às vezes temos mesmo de rebentar a bolha de conforto e arriscar dar um tombo ou dois. Porque, às vezes, a vista do outro lado pode ser mesmo aquilo que precisávamos de ver.


 

I’m a sissy. That been said, I will explain. I’m a sissy because I never want to do anything by myself.

Even after reaching an age at which I realized that living alone was kind of cool, there were always things I avoided doing alone. I do not know if it has to do with the fact that  I am an only child, but I was always enjoy having company. My parents had to get used to the fact that I had friends sleeping over occasionally. And, one day, my aunt told me that if I wasn’t an only daughter I would not have friends over so often. I still don’t know if that’s the reason, I still think I’m just a sissy.

But I am here today to remember the times when I got the courage to do stuff by myself. I remember, for example, the first time I traveled alone – in one or two planes – in which I found myself alone in an airport, and I realized it wasn’t that bad.

I remember the day I went to a concert alone. I always thought it was a little bit sad, but it was one of the last concerts of a band I love (Buena Vista Social Club) and I truly could not miss. It was so worthwhile – worth both going alone and the pain of being stung by a series of mosquitoes! At the time, I did invite a number of people, but they couldn’t come. And it was ok. Sometimes we have to stop and try to enjoy our own company.

One of the things I still want to do alone is going to the movies. They tell me that it’s so easy. One day. Sometimes we just have to burst the bubble of comfort and risk falling once or twice. Because, sometimes, the view on the other side may be just what we needed to see.

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One thought on “You and yourself

  1. Fui ao cinema à pouco tempo sozinha e não só custou nada como confesso que até gostei. No caminho para lá só pensava o quanto era estranho mas depois a sessão terminou e eu agradeci por ter decidido fazê-lo 🙂

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