So, here you are.

“Home is where the heart is.” é o que dizem. Já concordei mais. É relativamente fácil fazer o ninho em diferentes lugares. Quando tive de o fazer saída da província para a capital (Lisboa), tive todo o apoio e mais algum e, mesmo assim, custou. Sempre fui muito mimadinha – no bom sentido. Tenho uma família maravilhosa e uma panóplia de amigos de fazer inveja a qualquer um.

Lê-se por aí que quem emigra acaba por perder a casa e fica com aquele sentimento de não pertencer a lado nenhum. Não estou preparada para aceitar que assim seja. Ainda acredito que em vez de perder casas, as multipliquei. E o ser humano – talvez até mais as mulheres – têm o instinto inato de criar conforto, por isso já sinto esta casa sueca como mais minha. E em breve vai haver mudanças significativas que ainda a vão tornar mais minha – stay tuned.

Mas… há sempre um mas. Sou portuguesa. Há por isso uma veia em mim onde corre a saudade – e não há como parar a circulação, nem como cortá-la. Cada vez mais acredito que a maior diferença entre portugueses e suecos nada tem a ver com a economia dos seus países. É a emoção. Todos a sentem, mas a forma como a processam é bem diferente. Um grande exemplo foi ver o treinador da Islândia (Sueco) vs Fernando Santos no jogo Portugal-Islândia no Euro 2016. Um sentadinho, a ver o jogo desenrolar-se e o outro de pé, aos saltos, a berrar e a sofrer. Sabem bem quem era o português. Os portugueses têm sangue na guelra e as emoções à flor da pele. Por isso, o meu “mas” é que tenho na mesma saudades de todas as “casas” que deixei para trás.

Tenho a sorte, e faço o esforço, de voltar a Portugal de vez em quando. Felizmente não tenho uns pais que acreditam no “crescer onde tens raízes”, mas sim no “damos-te asas é para voares”. E voar é muito giro, mas às vezes sentimos falta das raízes, seguras, agarradas à terra, firmes e que nos trazem todos os nutrientes.

Desde que me mudei para a Suécia, tive de enfrentar algumas coisas sobre mim. Nunca antes tinha estado tão a sós comigo. Este “a sós”, não quer dizer sozinha. Mas quer dizer que o meu centro nunca tinha estado focado apenas em mim. Sem um trabalho das 10h às 19h e uma rotina certa, tive de reaprender a usar o meu tempo e a perceber o que me faz feliz. Tem sido uma experiência enriquecedora, no mínimo. Sinto que estou a crescer e a conhecer-me uma vez mais. Às vezes desfazemo-nos nos objectivos que nos são propostos e esquecemo-nos um bocadinho de nós.

Ontem encontrei esta citação:

E, na verdade, ainda me sinto assim nalguns dias. Felizmente são cada vez menos. Só tenho de convencer-me, todos os dias, de que estou em casa aqui, como estou em casa em Portugal e de que sou suficiente nos dois lugares. Porque sou, que raio.


 

“Home is where the heart is.” that’s what they say. I have agreed more before. It is relatively easy to make a home in different places. When I had to leave the province to move to the capital (Lisbon), I had all the support I could get, and even then, it was hard. I was always spoiled – in a good way. I have a wonderful family and a multitude of friends that make anyone eny.

I’ve read out there that emigrants end up losing their home and are left with the feeling of not belonging anywhere. I am not prepared to accept that it is like that. I still believe that instead of losing homes, you add up some more. And humans – perhaps even more women – have the innate instinct to create comfort, so I already feel like this Swedish home is a little bit more mine. And soon there will be significant changes that will make it even more home – stay tuned.

But … there is always a but. I am Portuguese. There is therefore a vein in me flowing with longing – and there’s no stopping the circulation, no cutting it. I think the biggest difference between Portuguese and Swedish has nothing to do with the economy of their countries. It is the emotion. All of them feel emotion, but how they process it is quite different. A great example was watching the coach of Iceland (Swedish) vs Fernando Santos at the Portugal-Iceland game at Euro 2016. One sitting quietly, watching the game unfold and the other standing, jumping, screaming and suffering. You know well enough who was the Portuguese. The Portuguese are hot-blooded and they let emotions surface. So, my “but” is that I still have the same longing for all the “homes” I left behind.

I’m lucky, and I make the effort to return to Portugal from time to time. Fortunately I do not have parents who believe in “grow where you have roots,” but instead they say “we give you wings so you can fly.” And flying is awesome, but sometimes we miss our roots, safe, clinging to the earth, firm and bringing in all the nutrients.

Since I moved to Sweden, I had to face some things about me. Never before had I been so alone with myself. This “alone” does not mean by myself. Without a job from 10h to 19h and a certain routine, I had to relearn how to use my time and realize what makes me happy. It has been an enriching experience to say the least. I feel I’m growing up and getting to know myself again. Sometimes, we focus so much on the objectives that are proposed to us that we forget a little bit about us.

Yesterday I found this quote:

And in fact, I still feel this way some days. Fortunately they are less and less nowadays. I just have to convince myself, every day, that I am at home here, as I am at home in Portugal and that I am enough in both places. Which am I.

 

 

 

 

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