Rural Portugal

Aproveitando o tempo que estou em Portugal, fiquei mais pelo campo para matar saudades da natureza e das origens. No fim-de-semana passado os papás levaram-me num passeio por algumas aldeias aqui à volta. A principal razão? Um livro que eles me ofereceram e que tanto eu, como a minha mãe, lemos.

“Estranho Lugar para Amar” é o título e a autora é a Luísa Castel-Branco. A história é baseada em factos reais sobre uma aldeia com um passado trágico.

“A tragédia do Colmeal é uma das páginas mais negras da história da ditadura portuguesa. A aldeia tinha catorze famílias e era sede de freguesia (com trezentos e trinta e oito habitantes), englobando povoações como Bizarril, Luzelos e Milheiro. Hoje é uma aldeia fantasma.” – Preâmbulo

Colmeal

 

Segundo consta, nos anos 40, a pequena aldeia foi transformada numa quinta com uma só proprietária e em Julho de 1957, a GNR foi chamada ao local para expulsar todos os habitantes. Há relatos divergentes quanto à violência da expulsão, mas diz-se ter havido mortes no processo.

Hoje o Colmeal foi transformado num refúgio com um hotel spa de “luxo”: Colmeal Countryside Hotel. Há polémica quanto à construção do mesmo, mas a verdade é que está lá e aparentemente pronto a receber hóspedes. O que também se mantém por lá é o vazio das casas que ainda estão em ruínas. A Igreja está a cair aos bocados, com paredes interiores que deixam adivinhar pinturas na segunda camada e as casas que não foram recuperadas mal sustêm as pedras empilhadas.  A mística continua lá, mas assim que as ruínas findarem a sua existência, também ela vai desaparecer.

Visitámos esta aldeia num Sábado, a meio da tarde. O hotel parecia estar em funcionamento mas não vimos, nem ouvimos ninguém. Ficámos, no entanto, a conhecer um gatinho e uma cadelinha muito curiosos e famintos.

  

Antes de chegarmos ao Colmeal, passámos por outros pequenos oásis rurais. Como optámos por seguir as estradas menos percorridas (uma delas chamada “a excomungada”), acabámos por aproveitar muito mais o passeio. Passámos por Cidadelhe e foi lá que fizemos a primeira paragem.

Uma aldeia que está a ser dinamizada por ter sido incluída no Parque Nacional do Vale do Côa, com um investidor que está a construir alojamentos na parte mais antiga desta aldeia, direccionados para os adeptos do turismo rural. Um dos toques mais especiais nesta parte da aldeia é a utilização das grandes pedras (ou fragas) para fazer de paredes em certas casas.

Cidadelhe

De Cidadelhe, fomos até Freixeda do Torrão onde vimos uma criação de burros, mulas e machos. Coisa rara hoje em dia, estando os burros em vias de extinção. Descobrimos, ao conversar com o criador que uma burra mirandesa pode custar até 2500 euros.

Freixeda do Torrão

Parámos para almoçar em Figueira de Castelo Rodrigo e depois do almoço subimos até Castelo Rodrigo. Talvez por ser época baixa – Inverno – não encontrámos muita vida, mas a aldeia está bonita.

Castelo Rodrigo


Por fim chegámos ao Colmeal, o motivo da viagem. Tivemos muita sorte com o clima, depois das chuvadas intensas, o Sábado foi um dia de sol invejável. Já no Domingo, as nuvens voltaram a escurecer o céu.

 

 

Taking advantage of the time I have in Portugal, I strayed in the countryside to enjoy nature. Last weekend, my parents took me on a tour around some villages close by. The main reason? A book they offered me and that both me and my mom read.

“Strange Place for Love” is the title and the author is Luísa Castel-Branco. The story is based on real facts about a village with a tragic past.

“The tragedy of Colmeal is one of the blackest pages in the history of Portuguese dictatorship. The village had fourteen families and was the main village around (with three hundred thirty-eight inhabitants), side by side with towns as Bizarril, Luzelos and Milheiro. Today it is a ghost-town.” – Preamble of the book

We are told that, around 40s, the small village was transformed into a farmhouse with only one owner and in July 1957, the National Guard was called to the scene to take away all the inhabitants. There are conflicting reports about the violence of the expulsion, but is said to have been deaths in the process.

Today, Colmeal was transformed into a retreat with a spa hotel: Colmeal Countryside Hotel. There is controversy regarding the construction of it, but the truth is that it is there and apparently ready to receive guests. What also remains, is the empty houses that are still in ruins. The church is falling apart, with interior walls that show some paintings in the second layer and the houses that were not recovered are barely sustaining the stacked stones they are made of. The mystique is still there, but as soon as the ruins fall down, its existence will disappear as well.

We visited this village on a Saturday, mid-afternoon. The hotel seemed to be running but we did not see or hear anyone. We did meet a kitten and a very curious and hungry puppy.

Before we got to Colmeal, we drove by other small rural oasis. As we have chosen to follow the less traveled roads, we passed Cidadelhe and that was our first stop.

A village that is included in the National Côa Valley Park, with an investor who is building apartments in the oldest part of town, targeted to those who love rural tourism. One of the special touches in this part of the village is the use of large stones to serve as walls in some houses.

From Cidadelhe we went to Freixeda do Torrão where we saw a breeding house for donkeys. Rare thing nowadays, with the donkeys being an endangered species. We found, by talking to the creator, that a mirandese donkey can cost up to 2,500 euros.

We stopped for lunch at Figueira de Castelo Rodrigo and after lunch we climb up to Castelo Rodrigo. Perhaps because it is low season – Winter – there was alsmost nobody around, but the village is beautiful.

Finally we reached the Colmeal, the reason for our trip. We were very lucky with the weather, after heavy rains, the Saturday was a beautiful sunny day. On Sunday, the clouds returned to darken the sky.

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